sábado, 21 de agosto de 2010
Podia ser uma bela história de amor
Aproveitemos a mera coincidência de este post ter um título feliz, em todos os aspectos. Bem conseguido porque transmite uma certa aura de optimismo (como as nossas mais altas figuras da Nação nos pedem sem cessar) e não fere o orgulho de quem gosta de finais tristes. Agrada tanto a gregos como a troianos, uma coisa quase impossível como bem sabem os políticos. Não há consensos. Que o diga Carlos Queirós que apanhou um susto dos antigos quando lhe puseram um prato de polvo na mesa e atormentado com a bruxa da "Pequena Sereia" que por acaso tem a forma de um molusco deu um salto da cadeira ao ver no bicho as feições do Vice-Presidente da Federação, um rapaz que só por acaso não vai muito com a cara do nosso seleccionador nacional. Ficou-lhe desde pequenino, ou de mais novinho, quando com um bigodinho à Clark Gable saboreou a glória nacional com uma geração dourada que se foi esbatendo até perder o brilho. Queirós ganhou o jeitinho Calimero, foi aprimorando o seu lado fadista sofredor com a idade, e agora fala muito e mal. Esqueceu-se de ficar calado quando devia e de falar quando o país reclamava a justificação necessária ao que se passou na África do Sul, onde a selva de lesões e de escolhas timoratas autenticamente o engoliu... obrigando o país a salivar em seco.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Separado da glória do poder, esperançado que a rota dos ventos o volte a empurrar para S. Bento- mesmo que um passado recente pobretanas em ideias, mendigo em actos e tão tem-te-não-caias na abordagem ao país, desaconselhe voos altos- o PSD reuniu-se em conclave, discutiu ideias e estatutos e fez a radiografia de si mesmo. Entre apelos à unidade, fidelidade, gritos histéricos e acordos de paz falhados, nada sai de Mafra para repousar nos anais da histórica. É certo que os ex deram o testemunho, qual certificado de garantia para um produto que estamos a pensar adquirir, mas omitiram a parte que justifica não continuarem com o bem na mão. Dilui-se a esperança da descida à terra de um novo sebastiânico líder, qual Messias agregador que seria a sobremesa perfeita para o manjar do conclave. Fechados no "convento" de Mafra, o fim-de-semana teve um som de cabaret com espectáculo, sound bytes e um perigoso selar dos lábios críticos a 60 dias dos actos eleitorais, num apelo falso à resignação e que pouco sentido fará. Parece que o novo líder seja ele qual for tratará de amarrotar esta proposta bacoca, que cheira a um ajuste de contas com o passado de Santana Lopes, que se deitou no divã e deitou para fora as mágoas passadas de ver o seu "bebé" definhar na incubadora. Foi moeda de troca? Numa pergunta sem resposta que tocou à campainha do inquilino mais famoso da Travessa do Possolo, passou por Belém à velocidade da luz. A mesma que leva para o esquecimento os discursos, as vontades, as promessas, as inquetações desabafadas. Foi um congresso económico, quase confrangedoramente pobre nas ideias...
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Chegaram atrasados?
Com alguma lassidão o Arsenal convenceu o FC Porto de que estava pouco importado neste jogo. As lesões e os castigos sustentavam a estratégia, a magnifica grandeza do pregaminho do nome brasonado que ostenta ocupam a outra folha onde Wenger rabiscou a intenção de no avião para Londres levar consigo a menor derrota possível. O dragão jamais deu mostras de que conseguiria mais do que aquilo que fez: equipa modesta, maneirinha a trocar a bola, claramente alimentada para voos bronzeados ou prateados intra muros, mas curta para ousar respirar na alta-roda europeia. Claro que não tem culpa dos desacertos da fortuna do Arsenal que impediram os britânicos de trajarem de gala, que pode bem com a distracção do árbitro que mandou o nome do visitante do Dragão para as urtigas e permitiu que a sagacidade e o sentido predador de um FC Porto momentaneamente inspirado colocasse uma vantagem de um golo no caderno de encargos azuis e brancos. O golo britânico pode pesar que nem chumbo, pois impõe na acta dos resultados desta ronda da Champions o mais cruel e difícil dos resultados para os anfitriões do primeiro jogo. Se cairem na tentação de tentar segurar com unhas, dentes, viseiras e soqueiras a magra vantagem, os portistas assinarão a sua sentença de morte, e podem provocar outros risos escarnidos a Wenger, o mesmo que desatou num ataque de sorrisos que lhe fizeram accionar todas as entranhas há mais de um ano atrás. Não pode Jesualdo fazer outra coisa senão esfregar os olhos, repetir os avisos de que em Londres há que marcar um golo salvador, convencendo o Arsenal que chegou atrasado à contenda...
ROMA, 12- Vou sendo varrido pela angústia. Silêncio e sossego pesado. Qual palco do teatro que acabou, o público já voltou para as suas vidas, os actores já se desmaquilharam e vão um a um deixando um até amanhã. Parto com o sentimento de um país que põe a meia haste a sua bandeira. A parte sofrida e difícil que me espera está tão próxima que tremo só de pensar em esticar a mão. Vou-me agarrando às sensações do presente- afinal de contas a forma mais recente de passados- enevoando-me pelas escadas da piazza d'espagna qual manequim com trejeitos de auto-estima em cima. Penso na mala já feita. A tormenta de amassar tudo, de apertar a roupa e fechar a cadeado esta etapa, voltando daqui a nada para os sítios que conhecemos melhor. Esperam-nos, não há nada a fazer.... É este o nosso fado!
Sei de fonte segura que o país inteiro anda intrigado. Este Portugal bisonho, triste e soturno que maldiz o frio, clama pelo sol que brilhe e destrua com os seus raios as teimosias de Pedros e de outros "boys", elevados a santos protectores de orelhas e de corpo inteiro no altar murcho da rosa pardacenta que resiste teimosamente. Negam qual apóstolo venerado o conhecimento ou participação nos negócios escuros postos às claras , três ou mais vezes, as que forem necessárias, até que outro galo- perdão rato- venha anunciar a nova aurora, o rasgar definitivo, cortando com a tesoura firme a época triste e decrépita que rasga as esperanças e condena sem piedade os Pinóquios desta vida, anemésicos ou esquecidos. Talvez, quem sabe, à espera do sopro que retire do arame onde se prendeu, a voz meiga e ténue dos Canibais, cuja prudência e astúcia de jogador de xadrez impede para já, de os salvar. A certidão de óbito política e espiritual essa já a passou o médico legista, os carrascos já esperam o momento certo para afiarem a faca, os abutres já se imaginam diante do frugal manjar. Tenho a tentação de invocar aqui a Maria Antonieta que soltou um "só mais um segundo", mas confesso que sou eu que sou mórbido e que gosta de ver sangue e tortura...
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Eram 23h 30 minutos TAG- menos uma hora na Madeira, menos duas nos Açores e menos quatro nas províncias ultramarinas- juro que não invejo os locutores de noticiário que em tempos antigos tinham de providenciar esta informação a quem os ouvia- quando a Charlise Theron se desfazia no mais profundo pranto. A França tinha acabado de deixar a última gota de suor no relvado de Saint Denis e fazia a festa com direito a foguetório no palácio do Eliseu, deixando a Irlanda apeada já com a mala encravada na porta de embarque do avião para a África do Sul. O golo da polémica e que deixou a cara da Charlise feia, tinha sido marcado com a ajuda da mão que passou despercebida ao árbitro, talvez crente de que Thierry Henry tivesse nascido maneta e que por isso nada tinha havido de irregular na jogada que fez com que os gauleses abrissem os braços- uma expressão que vem a propósito. Desconsolada a simpática loira lá teve de confortar a cara metade, irlandês, com muitos miminhos e algumas carícias que deixo à imaginação do leitor por não possuir dados concretos. Aliás, só de pensar nisso já me roo de inveja, que é um pecado mortal, mas que deve merecer toda a absolvição por se tratar da Charlise, uma rapariga tão simpática e que deve ter como eu uma aversão a franceses desde pequenina. Nunca gostei do Asterix, esse palmo e meio de gente que me irritava por chamar loucos aos romanos, logo eu que simpatizo com o Marco António por ter ficado com a Cleopatra do nariz imperfeito deixando o coitado do Júlio César a chuchar no dedo mindinho.; não acho a mínima piada às pirâmides do Louvre; a Mona LIsa é tão pequenina que se precisa de uma lupa para a ver. Tenho pena que a Charlise não tenha alguém com quem protestar durante o Mundial, isto porque o namorado irlandês não conta para as contas finais da competição. Se ela quiser, eu acompanho-a à sua terra natal e puxamos cada qual pela respectiva selecção e no fim que ganhe o melhor. QUando perderem, prometo que lhe enxugo as lágrimas. Confesso que me pareceu que foi o que Armando Vara ontem quis na RTP: que Judite de Sousa lhe secasse os olhos. Comovido com o discurso do self made man, jurando a pés juntos a inocência e uma vida angelical e que deve ter feito o Vaticano apurar o ouvido para começar o processo da canonização, fez mal as contas de que o juiz de Aveiro lhe acabasse com o pesadelo acendendo-lhe a luz. Pelo contrário turvou-lhe as contas, ao estilo do Guterres que se atropelou um dia nos números do PIB, ou do ministro Mário Lino que provocou uma irritação na barba desse prosador de escárnio e mal-dizer do reino chamado Pacheco Pereira ao baralhar por completo o preço do Magalhães.... Talvez estejam à espera do colinho da Charlise...
domingo, 29 de novembro de 2009
Rainha da sucata
Os anos 90 arrancaram em força. Injectaram no país a esperança de uma vida melhorada e de luxos que o fascismo reprimira. A sachola tinha sido trocada pela fábrica; a Europa era a ponte aberta para um futuro mais risonho; Macau ainda a última paragem do velho império; a palavra saudade era presença obrigatória nos fados das cantorias que emocionavam o país que se prendia a apenas 2 canais. Era presença obrigatória que prendia as atenções e monopolizava a atenção dos dias úteis a novela trazida do outro lado do Atlântico com os seus humores lânguidos, paixões arrebatadoras e interpretações geniais, longe da teatralidade que imperava por cá, fazia as delícias esta novela chamada Rainha da Sucata, uma genial sátira ao novo riquismo. Não sei se esse foi o ponto de partida para essa aberração nacional chamada Face Oculta, um nome de código estranho já que estamos todos fartinhos de saber quem são os arguidos ou suspeitos, levando-nos a concluir que são todos anjinhos e que de prendas mesmo no Natal se reduzem a ftos de treino ou peixitos para devorar num almoço de domingo. Nada de dinheiro ou de relógios ou férias em lugares exóticos que o futebol tornou tão comum. Não posso deixar de rir com este processo que vai desembocar num enfado até ser esquecido. Oxalá não bata recordes de permanência nos nossos ecrãs...
Assinar:
Postagens (Atom)