quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O beijo mortal da aranha negra

Tem-nos habituado esta Itália- a "banbina roliça"- do futebol mundial a ser quase gélida na sua contenção de entusiasmos e fogachos cínicos de vitalidade. Sempre foi assim, está-lhe no ADN, nas entranhas da sua personalidade. E depois de vista a "hora e meia" de ontem, e mesmo descontando o facto de ser um jogo a "feijões" despido de valor substancial, não existe sacrilégio na convicção de que a vitória lhe assentou bem. Lembrei-me vezes sem conta da Sophia e destes versos que dizem assim: "os ricos nunca perdem uma jogada/nunca fazem um erro/e espiam"... Com dotes de agente secreta esta Itália espiou e fez o seu "jogo perfeito", deu a ilusão ao "portugal dos pequeninos" que poderia revolucionar a história, e nas horas em que sentiu um tremelique nos pés, deu o beijo mortal na esperança leda e cega de tingir com os cinco escudos azuis a vitória de um particular... jogo de oportunidades.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O lento despertar da "Bela Adormecida"

Anda triste este país. Dispara aflito qual sirene de emergência toda a sua raiva esgazueada pelo soturno tom da paleta dos dias de hoje. Quase que me apetecia pôr o título "o doloroso regresso ao Portugal triste" feito de um ontem que durou décadas de falsas promessas de um amanhã solarengo, morto pelos tiros silenciosos de cravos floridos na lapela, murchos pela pouca acutilância dos capitães de outrora que deixaram o navio para se esconderem nas catacumbas do silêncio à espera de emergirem quando o país profundo perder este seu aspecto franzino e resmungão. Talvez se se convocasse a fada que acordou a Bela Adormecida do seu sono de 100 anos, pudessemos ouvir o Brecht e dissolvia-se o povo e elegia-se outro...

Marlene para sempre a bela...

Já aqui vos tentei fazer ver que este blog vive de exageros subjectivos, oferece uma visão redondinha deste planeta achatado nos pólos, muito íntima e que dela não prescindo. Só ela ganha luz para alêm dessa vidinha triste de que falava o O' Neil que turvava o país, o tornava cada vez mais triste e soturno assistindo cabisbaixo ao lento rolar dos ponteiros na sua reprise diária de 24 horas que parece que se movem em câmara lenta... a melhor forma de ver a bela Marlene Dietrich no "Anjo Azul" é em slow motion. Não tirem os olhos dela. Daquele esvoaçar da perna naquela dança sensual que merecia durar duas horas. Não dura. Apenas 3 minutos... que nos deixam a salivar e a pedir por mais... A Lola Lola que enlouqueceu a cabeça do triste professor Unrat devia ser vista e revista não como um marco cinematográfico da República de weimar mas como um dos marcos da sétima arte...

quarto 1A

Do meu quarto não tenho vista sobre a cidade como no filme de James Ivory, nem uma uma Helena Bonham Carter, o que tambêm não é problema, já que a moça não faz muito o meu género e o Tim Burton era capaz de ficar aborrecido comigo, contente que estou neste suave despertar desta nova paixão que me inquieta pela expectativa desde admirável mundo novo da blogosfera que para mim se abre sem o barulho monocórdico do abrir da presiana ao raiar do novo dia. A vontade fogosa, delirante de escrever o primeiro post rouba-lhe talvez o conteúdo, a estrutura sólida e granítica que devia ter, neste seu acenar à janela para conquistar e seduzir o grande público. Resistirei ao conformismo de me sentar à espera que a vida passe pela nossa frente tal rapariga gaiata e moça que nos desenha nos lábios o sorriso tímido e triste da juventude adormecida pelos contos de mil e uma noites e felicidades de princesas encantadas, sofredoras trágicas mas que no fim recebem o beijo depois de passarem uma hora e meia atroz.
Parto para esta aventura a tremer não ter o destino de Prometeu que teve a ousadia de roubar no Olimpo um pouco do fogo do sol para dar mais vida aos homens... E logo neste meu dia de estreia olho pela janela e vejo um céu escuro, cinzento, cor de chumbo, pesado pelas toneladas de pecados humanos...

Recepção

Ponto prévio: Não é intenção transformar esta pensão na capital do Mundo como a antiga cidade da Mesopotânia, mas apenas e só ser um ponto de referência de contributos gerados pelo rigor específico do estado de alma deste que vos assina e que vos convida a entrar nesta verdadeira "Torre de Babel".