domingo, 29 de novembro de 2009

Rainha da sucata

Os anos 90 arrancaram em força. Injectaram no país a esperança de uma vida melhorada e de luxos que o fascismo reprimira. A sachola tinha sido trocada pela fábrica; a Europa era a ponte aberta para um futuro mais risonho; Macau ainda a última paragem do velho império; a palavra saudade era presença obrigatória nos fados das cantorias que emocionavam o país que se prendia a apenas 2 canais. Era presença obrigatória que prendia as atenções e monopolizava a atenção dos dias úteis a novela trazida do outro lado do Atlântico com os seus humores lânguidos, paixões arrebatadoras e interpretações geniais, longe da teatralidade que imperava por cá, fazia as delícias esta novela chamada Rainha da Sucata, uma genial sátira ao novo riquismo. Não sei se esse foi o ponto de partida para essa aberração nacional chamada Face Oculta, um nome de código estranho já que estamos todos fartinhos de saber quem são os arguidos ou suspeitos, levando-nos a concluir que são todos anjinhos e que de prendas mesmo no Natal se reduzem a ftos de treino ou peixitos para devorar num almoço de domingo. Nada de dinheiro ou de relógios ou férias em lugares exóticos que o futebol tornou tão comum. Não posso deixar de rir com este processo que vai desembocar num enfado até ser esquecido. Oxalá não bata recordes de permanência nos nossos ecrãs...