Não sei se lembram do Sinhozinho Malta do "Roque Santeiro". Um verdadeiro pinga-amor, rico no dinheiro e no espírito que sempre que a vida não lhe corria conforme queria ou quando alguém ousava contrariar a sua palavra, rodava a pulseira de ouro que trazia no braço acompanhando o gesto com uma frase que virou moda : "estou certo ou estou errado" e que inspirou os famos sound-bytes que volta e meia ouvimos os políticos repetir sempre que diligentes colegas de profissão espetam os microfones à procura das palavras sábias de quem faz da oratória a profissão. Nunca esquecerei que por causa do Sinhozinho, obriguei os meus pais a inscreverem-me no hipismo, que ficava bem pertinho de casa. Naquele primeiro dia levei uma das primeiras decepções da vida. O meu talento equestre não seria exibido num cavalo igual ao que via Sinhozinho usar e rasgar a galope as pradarias da quinta . De nada serviram as promessas de que mal ganhasse jeito poderia também eu dominar um anima
l igual. O desgosto e o amargo de boca levou-me a preferir o cavalo de madeira, feito com o jeito e a inocência dos 7 anos e com a habilidade precária de quem nunca passou da mediocridade nas aulas de Educação Visual. E porque não adianta recorrer ao eufemismo de facto aquilo era muito mau. O som dos galopes era feito pela imaginação e as pradarias verdejantes nada mais eram que o meu quintal. A pulseira essa, de ouro, roubei-a à coitada da minha avó. Na altura, confesso, não dei nenhuma importância ao facto da personagem usar peruca, porque a minha farta cabeleira não precisava de outro adorno, e até podia ser uma vantagem para mim na hora de namorar com a viuva Porcina, a amante de Sinhozinho, que jurei lá em casa e na rua havia de ser minha. Infelizmente o destino trocou-me as voltas, a viuva ficou com Sinhozinho e ao que dizem vivem felizes até à eternidade.... E eu que lhe iria fazer uma proposta irrecusável...
l igual. O desgosto e o amargo de boca levou-me a preferir o cavalo de madeira, feito com o jeito e a inocência dos 7 anos e com a habilidade precária de quem nunca passou da mediocridade nas aulas de Educação Visual. E porque não adianta recorrer ao eufemismo de facto aquilo era muito mau. O som dos galopes era feito pela imaginação e as pradarias verdejantes nada mais eram que o meu quintal. A pulseira essa, de ouro, roubei-a à coitada da minha avó. Na altura, confesso, não dei nenhuma importância ao facto da personagem usar peruca, porque a minha farta cabeleira não precisava de outro adorno, e até podia ser uma vantagem para mim na hora de namorar com a viuva Porcina, a amante de Sinhozinho, que jurei lá em casa e na rua havia de ser minha. Infelizmente o destino trocou-me as voltas, a viuva ficou com Sinhozinho e ao que dizem vivem felizes até à eternidade.... E eu que lhe iria fazer uma proposta irrecusável...