quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Julgava que podia escapar de vos apresentar a Salette, mas não me perdoava a mim mesmo se guardasse para mim a avantajada rapariga de nariz adunco, cabelos fartos e com trançinhas e o peito mais cobiçado daquela rua aos paralelos. Menina prendada, acólita da missa dos domingos, provocou um verdadeiro escândalo ao surgir grávida. Foi uma gravidez rápida que nem o dr. Pintas, o barão mais ilustre da medicina da rua foi capaz de desvendar. Basta estar viva e com fome, atirou para o ar o Quim Roscas, numa verdade que o sr de La Palice não enjeitaria. O dr. Pintas enlouqueceu na tentativa de dar resposta à questão que inquietou a rua e matou-se com o remédio do escaravelho, donde se prova que até para o escaravelho há remédio. Ainda hoje não há conclusão definitiva para esta gravidez que gerou atrás de si a morte e o suicídio de um escaravelho para investigar, que provavelmente tomou remédio humano. E era preciso isto tudo? Caros amigos, a pergunta lançada no meio da confusão acesa pela nossa bem conhecida D. Birgolina faz todo o sentido. Ontem, coloquei-a muitas vezes depois de ouvir as arautas vozes que comentaram a comunicação de Cavaco ao país. Não esclareceu o problema das escutas, de onde saiu essa delirante ideia, e colocou claramente a armadura no corpo para o confronto com o governo, do qual, juro não ser segredo para ninguém nunca gostou. Apenas serviu este falar ao país para advertir o PSD que se quis pendurar nos ramos do coqueiro a que há uns anos subiu, numa cena triste e de apanhados, como a de Soares com as tartarugas, que deixem de o olhar de lado e com desconfiança, e para lembrar ao Governo que ele tem na mão o papelinho que dissolve a Assembleia e nos obriga todos a ir votar outra vez e a aturar aqueles discursos de vitória novamente, sem pingos de inventiva, agora que a RTP se armou em moderna com aqueles quadritos que se vêem nas escolas. Sibilinamente prolongou a dúvida, semeando ainda mais - ia escrever o rato na barriga, mas a imagem está gasta- abrindo o flanco para as farpas do governo que chegaram tarde demais, Cavaco já tinha tirado a gravatinha azul às bolinhas, vestido o pijama e já se preparava para sorver o leitinho quando Silva Pereira enfrentou as câmaras de TV. Esqueceu-se foi de tentar acenar com a bandeira branca, acirrando ainda mais o discurso numa guerra de alecrim e manjerrona que pode rebentar quando Cavaco quiser. É ele quem menos tem a perder, porque palpita-me, até vai colocar o ponto final na sua vida política no fim deste mandato... e gozar Alegremente (desculpem-me falar aqui dele) o resto dos seus dias a cuidar dos netos....

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Querida Mirita

Parece que é hoje! O nosso PR vai recuperar a voz- terá tomado cházinho com casca de cebola, como a tua avó com astúcia nos ensinava a fazer naquelas tardes em que suávamos as estopinhas nos quentes jogos de futebol de fim de estio- e falar ao país. Desconfio, depois de o ter ouvido sábado e no domingo, que se estivesse mais perto do Magusto que chamava um desses vendedores de castanhas a Belém e enchia a boca na hora de enfrentar os malandros dos jornalistas que teimam em colocar-lhe as perguntas mais incómodas. Afinal não saberão eles que o mais alto-ora aqui está uma questão que preciso de confirmar (já chamaram isto ao Sampaio, e eu que me cruzei com o nosso ilustre advogado na ponte da praia do Gigi, constatei que poderia facilmente se o João César Monteiro assim o entendesse contratá-lo para um dos anões da Branca de Neve, sempre era melhor do que pintar de preto a tela durante hora e meia, digo eu que até gosto de cinema)-magistrado da Nação é um rapaz que alimenta faustamente os tabus? Foi assim enquanto era líder do PSD e na indecisão decidida de se candidatar a Belém, numa rumagem para ver como paravam as modas, ao estilo do futuro inquilino a mirar a casa que irá ocupar, foi conhecer os cantinhos à casa, talvez concluir que coqueiros e marquises não ficariam muito favorecidos, no palácio cor-de-rosa. É mesmo preciso não ter tido o deleite de ler aquela autobiografia, um pouco pirosa na capa, mas isto já parece ser uma tarefa homérica para alguns repórteres, e comentadores, tão comedidos que andam nesta vitória parcial de Sócrates, que de extraordinária nada teve, apesar dos esforços que o nosso chefe do governo em convencer as pessoas do oposto. Todos, incluido Manuela Ferreira Leite e Pacheco Pereira- quando for grande vou deixar crescer a barbita assim, um pouco rala-jamais ousaram desacreditar esta verdade que podia ter sido, caso o líder laranja fosse outro, escrito nas estrelas. Fálo desse Zé, que anda com esse sarilho chamado Europa às costas, como podia falar do Manuel, e aqui encaixa o Jesualdo Ferreira, o Barrabás do futebol português, agora que Jesus vê os seus rapazes colherem e multiplicarem por muitos os golos. Foi uma mão cheia na rede dos homens do Mar, horas depois de o dragão se ter encolhido na segunda parte perante o rugido tímido do leão. Começou com a pata esquerda, o rei dos animais, mas depois ensaiou os rugidos que ouvíamos nos filmes, lembras-te? Mas a garganta estava rouca e faltava-lhe convicção, como ao Cavaco para falar desde Agosto... O Paulo Bento, aquele com o penteado que tu odiavas e aquela vozinha firme com sotaque aprendido enquanto pedia caramelos a uma empregada espanhola cheia de salero, e que gosta tanto dos árbitros e de vociferar até entra em campo para os convidar a irem cear depois do jogo a Matosinhos, que a noite até estava quentinha, reflectindo em conjunto em quem deviam pôr a cruzinha no dia seguinte... o Duarte Gomes, um rapaz da Madeira emigrado para Lisboa sentiu-se asfixiado democraticamente e expulsou o treinador... Enfim... É verdade, a Manuela Leite também fez o mesmo ao Passos Coelho e agora vamos ver se a faca do eterno candidato- não, não é o Garcia Pereira- estará bem afiada ao estilo do Robespierre na noite a seguir às autárquicas. Ontem em Paredes lá mostrou a vontade de encostar a adversária à Parede, sem ter necessidade de chamar o Marco Horácio, que fala que se farta e berra muito, porque eu ouço-o a debitar alarvidades da televisão do meu vizinho. Se o Rio não meter água e a noite não for de Flopes- perdão Lopes...- é bem provável que a laranja tenha outro sumo.... A carta já vai longa, mas tu já me conhecesses sabes que não me calo, falta aqui falar do Paulinho, um dos vencedores da noite que já não tem um zero á esquerda da percentagem de votos. Chegou aos dez por cento, compensado pelo empenho e litros de suor que verteu na volta a Portugal que deu. Gosto do rapaz. Tem um ódio de morte ao Cavaco, mas já o estou a ver, daqui a alguns anos juntamente com o Marcelo a comer uma vissiychoise da paz, geladinha como convêm para alegremente fazerem as pazes.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sei quem ele é
é um "PR" que se esqueceu
quem favores lhe mereceu
pois toca a "expulsar"!
O seu amigo
que ao longo da campanha
o ajudou na façanha
de o bem publicitar
O mais espantoso
é o ódio incessante
que dedica melitante
a um ser peculiar
Mário Soares- o "pai" da Democracia
sem ele o próprio estaria
algures a leccionar
No 10 de Junho
pôs o Alegre Manuel
a declamar 1 papel
só para o contrariar...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Por muitas voltas que dê à cabeça, não me consigo lembrar. Confesso que não tenho a memória de elefante- uma imagem gasta mas que aqui apenas é colocada para citar a obra de estreia do Lobo Antunes, um dos autores odiados das nossas letras, que pelos vistos voltou a apaixonar-se, e que seja bastante feliz é o que lhe desejamos. E que nos consiga maravilhar com a polifonia existente naquela cabeça labiríntica e a arder de chagas da ferida da guerra colonial. Não sei se José Sócrates o terá lido. Calculo que não, embora o livro não chegue sequer às 150 páginas, mas a avaliar pela citação pop cinéfila que fez ontem naquele debate morno como o tempo incapaz de levantar a fervura, esbarrando vezes de mais na deferência com que ambos se trataram e na indelicadeza de mandarem às malvas as regras pré-estabelecidas com a aprovação da moderadora, parece-me que não. Confesso que nunca vi o filme, nem tenciono ver. Já me informei, e parece-me um absurdo. Sei algumas coisas que fiz no Verão passado, como todos, mas ao detalhe sou incapaz de promenorizar. Acho que o programa do PSD oupa mais espaço do que as minhas lembranças do Estio anterior caso as tivesse que verter para o papel. Não me recordo de quase nada. Aliás estou como os ingleses que consideram o passado um armário cheio de caveiras e no qual não se deve mexer. Ao ouvir Sócrates recordar tantas e tantas vezes um governo de coligação onde esteve Portas, confesso que pensei se o nosso primeiro não terá sido visitado pelo fantasma do Natal passado do Dickens, incorporando um Scroodge, o que até batia às mil maravilhas no nome de sr Zangado que lhe deu o seu interlocutor no debate, uma vez que além de nome do anão mais maravilhoso do universo Disney da Branca de Neve, era a descrição perfeita do Scroodge que depois inspirou o Tio Patinhas, o sovina de Patópolis... Pena é que não estejamos no Natal... E as eleições para o nosso 1º não me cheira que venha a ser uma prenda...