É verdade e não merece discussão que a goleada gorda- à moda antiga- num regresso esperado ao passado glorioso que alimenta ainda, tantos anos volvidos, o ego encarnado, faz renascer o sorriso e recuperar a vontade de ganhar e de gritar aos quatro ventos a plenos pulmões: "Sou do Benfica", que ultimamente tem sido confessado numa surdina quase muda. Manda a prudência num dos seus mandamentos que se recorde e com algum respeito a fase embrionária da época, ainda pouco rabiscada no terreno para deixar de ser projecto no estirador do técnico. Esta águia, promete, tem vontade, parece ter capital humano para se transformar numa certeza, mas a verdade é que um balde de água fria seria bem vindo agora, para caso as coisas não continuem no trilho certo, a paixão arrefeça e o toque de
desmobilização tome conta dos seus
indefectíveis. Objectivamente o Benfica fez o que lhe competia, está com pé e meio na fase de grupos da liga Europa, e no Campeonato esbarrou na falta de pontaria e nas luvas de um guarda-redes que transformou os acordes da vitória quase certa no
bailinho do empate que comprometeu os três candidatos ao título, permitindo que o
Braguinha respirasse solitário os ares da liderança. O leão medroso à imagem do que fez companhia a
Judy Garland no "Feiticeiro de
Oz", tolhido e de garras escondidas na choupana não resistiu ao voo mortal da borboleta roxa com ajuda de uma estranha mão russa que transforma num pesadelo a viagem à Florença de Dante e onde morou em tempos idos Rui Costa, e onde uma Helena
Bohaman-
Carter quis um dia ter "Um quarto com vista sobre a cidade". Nuvens carregadas na cidade do Arno para a continuidade entre os maiorais na Europa do
vice-campeão luso. Grande Nacional, atropelou o Sporting e atingiu o seu
Zénith com esta vitória amarga pelos golos que encaixou que tornam esta vitória num amargo de boca.