Os anos 90 arrancaram em força. Injectaram no país a esperança de uma vida melhorada e de luxos que o fascismo reprimira. A sachola tinha sido trocada pela fábrica; a Europa era a ponte aberta para um futuro mais risonho; Macau ainda a última paragem do velho império; a palavra saudade era presença obrigatória nos fados das cantorias que emocionavam o país que se prendia a apenas 2 canais. Era presença obrigatória que prendia as atenções e monopolizava a atenção dos dias úteis a novela trazida do outro lado do Atlântico com os seus humores lânguidos, paixões arrebatadoras e interpretações geniais, longe da teatralidade que imperava por cá, fazia as delícias esta novela chamada Rainha da Sucata, uma genial sátira ao novo riquismo. Não sei se esse foi o ponto de partida para essa aberração nacional chamada Face Oculta, um nome de código estranho já que estamos todos fartinhos de saber quem são os arguidos ou suspeitos, levando-nos a concluir que são todos anjinhos e que de prendas mesmo no Natal se reduzem a ftos de treino ou peixitos para devorar num almoço de domingo. Nada de dinheiro ou de relógios ou férias em lugares exóticos que o futebol tornou tão comum. Não posso deixar de rir com este processo que vai desembocar num enfado até ser esquecido. Oxalá não bata recordes de permanência nos nossos ecrãs...
domingo, 29 de novembro de 2009
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