terça-feira, 27 de outubro de 2009
Logo eu que gosto de escrever sobre mulheres bonitas- e a mulheres bonitas, esclareça-se, eu que já dei muito trabalho ao carteiro da Julia Roberts, que para meu desgosto ainda não me devolveu a gentileza dos cartões de boas festas e de aniversários- vejo-me obrigado a falar de José Saramago que lá arranjou mais uma polémica enterrada há 18 anos quando escreveu aquele Evangelho em nome de Jesus Cristo. A igreja não achou piada, nem um tal de Sousa Lara que por aquilo não ter a pontuação que devia que o impediram de passar da 4ª linha atirou cem pedras à ousadia do escritor. Agora volta a Bíblia ao centro das atenções, despejando ódio por Deus- embora regougue que não acredita Nele- e deixando para segundo plano a discussão sobre a nova equipa de Sócrates, a cegueira do Lucílio no jogo do líder Braga com o Rio Ave, a gravidez da Cláudia Vieira, tudo assuntos de grandeza superior à discussão estéril e vaidosa de um homem que na falta de argumentos literários- vale o que vale é a minha opinião, desde que ganhou o Nobel que ainda não escreveu um livro à altura dos anteriores- arranja todos os argumentos para voltar a incidir sobre si a luz quente dos projectores e das páginas dos jornais. Emigrado em Lanzarote podia deitar ao mar que rodeia a ilha as frustrações e amarguras da sua alma em vez de verter para o papel o fel, que lhe prejudica ainda mais a saúde debilitada que exibe. Ter outras preocupações que não o livro mais traduzido do mundo e que está presente na mesinha de cabeceira dos cristãos. Eu, por exemplo, não ligo nada a música e não me passa pela cabeça escrever 200 páginas a censurar as letras das canções... Não lhes dou importância. Mas, Saramago, tem outra música na cabeça...
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Juro que tenho inveja de Sócrates. Não do filósofo grego que esse deu-me algumas dores de cabeça ainda hoje incuráveis nas aulas de Filosofia depois de ler os diálogos do Platão, um rapaz que me parecia simpático e que dizem ter sido capaz de inventar essa personagem que nunca deixou uma linha escrita, mas do nosso primeiro, que por estes dias deve andar numa roda-viva à procura de ministros para preencher o governo que terá de passar pelo crivo do Presidente da república, com quem, como se sabe as coisas não andam lá muito bem. Perdoem-me, caríssimos que fazem a gentileza de me lerem, mas estive tentado a ir a S. Bento pedir emprestado o peluche do anão Zangado- apenas e só a minha personagem predilecta da Branca de Neve- ao nosso chefe do Governo e se pudesse entregava ao primeiro-ministro o número da Maitê Proença, uma das mais abalizadas especialistas em geografia e costumes portugueses e que até tem um palminho de cara jeitosa, e ao que parece gosta tanto de Portugal como o nosso Nobel Saramago da Bíblia, como ontem aprendemos, para que a pudesse indigitar como ministra dos negócios estrangeiros. Irrita-me que o primeiro-ministro, que perdeu tempo naquelas cinco reuniões com os líderes dos partidos, não me tenha ouvido a mim. Ter-lhe-ia poupado o tempo e o vexame de ter de colocar o melhor sorriso ao ouvir os rotundos "não" que sairam da boca de Ferreira Leite, Louçã, Jerónimo e Portas. Poderíamos juntos, ter chegado a um acordo quanto à posse do boneco do Zangado, que ainda hoje invejo e hei de obter, e talvez durante a conversa tivessemos chegado à conclusão que eu seria um ministro em potência. Tal como no futebol, onde somos todos treinadores de bancada e célebres no decapitar do treinador do nosso clube, na política somos todos uns ministros em potência. São coisas minhas, mas acho mal não terem convidado o dr. Deus Pinheiro, que não deve ter gostado da nova decoração da Assembleia e pisgou-se o mais rapidamente possível dali. Se fosse possível, gostaria de ver Diego Maradona, que dizem as minhas fontes anda a ouvir muito Santos Silva, esse malcriadão e pateta ministro que gosta de malhar nos jornalistas embora o deleite maior seja usar o gancho direito, a Ministro e a exibir aquele sorrisinho escaninho perante as câmaras dos telejornais. Outro que também gostava de ver de pasta na mão era o Pacheco Pereira, anda muito azedo e cheio de queixumes para o meu gosto. Fazia-lhe bem, digo eu. Vêem o que perdeu José Sócrates e o país por não me terem ouvido?
domingo, 11 de outubro de 2009
Com a vénia ao Trio de Odemira, a igreja estava toda iluminada e ela, a Lucinda, já estava casada. Beijou o noivo, marcando a face esquerda de Diamantino com o tom garrido do rouxo do batom que a mão amiga surripiara de uma prateleira clandestina do mercado. E com pompa e circunstância, o coro dos acólitos da igreja lá gargarejavam os tops rascas da época. O padre Sobrinho perdia um cabelo perante tanto desafino, mas manteve a compustura para que a cerimónia continuasse até ao "ide em paz" que parece ter picado e guiado a maioria dos presentes para o tasco do Carvalho, o local da boda de água, descurando aquela chatice das fotografias, em que se pede que os noivos sejam esfinges e coloquem a cada disparo da objectiva o sorriso de locutora de continuidade, o que seria quase impossível perante a presença da Frederica, a figura mais odiada que habitava a casinha verde alface de portadas ferrujentas no extremo sul da rua. A sua presença, para perceberem melhor, era menos bem-vinda do que a da bruxa má do Oeste a casa da doce Doroty Gale. Um enorme tufão percorria a espinha da Lucinda mal cruzou o olhar com aqueles olhos límpidos à Elisabeth Taylor que haviam seduzido há anos o Diamantino. Esclareça-se aqui que a gravidez foi a razão do matrimónio. D. Birgolina armada até aos cabelos pela incondicional defesa da moral e dos bons costumes vociferou contra o casamento, já que a outra, a Frederica, que tinha a sua benção merecida pelas inesgotáveis oferendas semanais, generosas contribuições saídas do bolso de quem tinha noites bastante trabalhosas na providencial arte de dar prazer aos rapazes casados ou solteiros que a procuravam depois da ronda de dominó. Para a paz da rua, dizia a alcoviteira mor da rua, qual Pacheco Pereira, o verdadeiro especialista em prémios Nobel, a Frederica devia ser a noiva, mesmo que a outra estivesse grávida. Porque ficava provado que Lucinda não tinha esperado pela lua de mel para conhecer e dar-se a conhecer mais intimamente. Segundo D. Birgolina, mais vale parecê-lo que sê-lo, alguns políticos parecem concordar com ela....
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