sábado, 21 de junho de 2008

O voo feliz da Luftwaffle

Graham Bell não deve ter pensado nisto quando aperfeiçoou o trabalho de Meuci, esse sim o inventor do telefone, confirmada a descrença e o desespero de um adeus cedo demais, o barulho irritante do toque silencioso do aparelho não me deu descanso. A derrota deu para dedilhar, escrever o que há muito o coração dizia mas a razão censurava. Ouvi alguêm dizer que "a derrota só se cura com a vitória" e tem razão. Volta o acorde suave do fado da melancolia neste regresso antecipado dos "salteadores da oportunidade perdida", os pensamentos silenciosos do "que poderia ter sido mas não foi" tão vãos como tentar encontrar a vida no exacto lugar onde a deixaram. De mãos nos bolsos, resignados à espera do autocarro da vida, Portugal adiou mais o sonho. Desceu á terra depois de durante semanas ter feito o papel de Judy Garland no "Feiticeiro de Oz", entoando o "somewhere over the rainbow", para tal como a moça de seios enfaixados e totós na cabeça concluir de "que não há lugar como a nossa casa". A força aérea da Alemanha, a temível alemanha, que renasceu da humilhação de Versalhes com a poderosa "Luftwaffle", cínica e fria, sem fogachos, conduz o seu "carro do povo" rumo a Viena e à glória... Será?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

são homens para se medirem com o impossível

"Roubei" ao Torga o título desta missiva escrita a poucas horas desse novo confronto com os alemães। Espero no final dele não ter necessidade de dizer como o Hans Frank, Governador-geral da Polónia no Julgamento de Nuremberga " Passarão mil anos e não se apagará a culpa desta Alemanha". Porque para mim a Alemanha continua a ter algo de sinistro. "Ao ouvir Wagner dá-me vontade de invadir a Polónia", a frase genial é do Woody Allen mais ou menos a meio do "Misterioso assassinato em Manhatan" e resume um pouco aquilo que sinto e da desilusão que temo sentir hoje. Tem é certo, esse espantoso Hino da alegria do genial e surdo Beethoven nascido em Bona, uma língua de trapos difícil de pronunciar e tem aquela cínica sina que um inglês um dia definiu como: "jogam onze contra onze e no final ganha a Alemanha"...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Shiu! Deixem ouvir esta sinfonia austríaca!

Não há herois sem derrotas. Não há Napoleão sem Waterloo; Aníbal sem Zama; nem tão pouco Churchill sem Dardanelos. Num ápice veio-me à memória a frase do Seam Connery, com a sua voz arrastada ( penso que no "Nome da Rosa", mas não sou capaz de o jurar): "volta e meia precisamos de morrer, se não tornamo-nos eternos o que é uma chatice", enquanto vou "recortando" os pedaços do jogo que a Suiça fez mais para ganhar e que Portugal foi "chocolate" docinho para a boca helvética. Meteu dó esta breve crónica para um longo adeus de uma selecção portuguesa arrastada e preguiçosa a "pastar a vaca" como se ouve dizer por terras transmontanas. Esbarraram na sede de protagonismo de um árbitro que deu uma sinfonia de apito e nas escolhas erradas de um seleccionador cada vez mais "azul"... Ele há coisas...

domingo, 15 de junho de 2008

A varanda de Mussolini

Chamam-lhe Roma, a Eterna. Eternamente bela, espetacular na sua convivência histórica agora engalfinhada em gritos nada comedidos de "cornuto" ao virar de cada esquina, sentimentos exuberantes de automobilistas suicidas perdidos nas curvas e contracurvas dos blocos maciços dos automóveis que se misturam com o vaivém irritante das piaggios que já perderam o encanto dos tempos dos filmes de Felinni, da vida das "vias" transalpinas que suam à bica não só pelo calor como tambêm pelos milhares de representantes da civilização oriental que põe os olhos em bico e transformam a vida rotineira dos dias, a ladainha de sempre do destino triste. Brancas de porcelana, donzelas saídas dos romances de Camilo, com entusiasmo comunicativo a sair da boca em decassilabos de difícil entendimento, apontam com fervor para a varanda de onde esse louco Mussolini convenceu a Itália a participar numa guerra que não era a sua e sorriem. Não um sorriso amarelo mas límpido e alvo de quem descobre algo de mágico. Se estivessem em Verona, nessa bela Verona, dos Capuletos e dos Montecchios, do ímpar Shakespeare talvez ousassem trepar à espera de encontrarem lá em cima a sorrir um "ragazzo belo" com que tanto sonham e cujo rosto de Adónis vão desenhando com os dedos mínimos da imaginação neste tempo de risos...

sábado, 14 de junho de 2008

A vida azul de Scolari

Por mais "azias" e "dores de barriga" que possa causar a um povo que se entregou todo nas mãos de um gaúcho, vendo nele um sebastiânico salvador, o "escancarar" das portas de "Standford Bridge" tão perto no tempo, sugere várias interrogações:
- terá sido "ingénua" a sugestão lançada para que Ronaldo vestisse de "branco" na próxima época, sabendo como o português pode ser um "diabo" nos relvados da Premiership?
- até que ponto a "folga especial" que Deco recebeu permite novas "acessibilidades" a contornar a até agora rígida e dura "mão de ferro" com que o seleccionador regia o grupo?
De nada vale relembrar aqui que Portugal ainda não ganhou nada neste Europeu a não ser o "prolongamento" da sua convivência na "zona euro" por mais um jogo, e será inapagável o percurso que muitos abrigados pelo "chapéu de sol" do anonimato tendem a desvalorizar, que o Portugal de Scolari fez ao longo dos anos em que o "gaúcho" foi português.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Todos juntos mão na mão

É o renascer. Qual pássaro grego que se ergue das cinzas da auto-combustão de um país triste e saloio que molha os pés no mar e parte de camisa sem alças para a aventura "europeia" a galgar os orgulhos de um nacionalismo tacanho rumo a essa Viena das valsas, do Danúbio, da catedral de Saint Stephen, do Prater onde o FCP já foi feliz e o Benfica escorregou na casca da laranja italiana de um Milan super em potência; a equipa de Scolari dá amanhã o primeiro "testemunho" sobre a possibilidade de voltar à final do Euro, numa festa que devia ter sido feita a encarnado e verde e que afinal teve os tons azuis. "A dor de azul de portugal" como lhe chamou Manuel Alegre com razão ainda pesará "toneladas" no ânimo? Contra uma Turquia que já despachámos por duas vezes ( uma na fase de grupos em Inglaterra; a outra a eliminar no Benelux) é crucial ganhar para evitar "xanaxes" e dores de dedos no famoso recurso à calculadora e às contas de mercearia.