Todos os anos, o ritual tinha a solenidade de uma oração. Naquela folhinha azul de 25 linhas tínhamos de escrever o que achámos dos professores, das aulas e da escola, num exercício que contemplava ainda a escrita da classificação final que nos atribuíamos a nós mesmos, num exercício difícil se não fosse feito com a displicência de quem não o levava a sério. Teve dias que considerei aquilo um autêntico absurdo, que estava a fazer o trabalho dos professores. Era como se me pedissem que escrevesse o enunciado do teste, o resolvesse e depois pegasse na caneta encarnada para o classificar. Com o correr do tempo, achei graça e encarei o desafio como uma proposta de negociação entre o aluno e o professor. Escreveria a verdade e pediria a nota que achasse mais justa face ao desempenho que obtive no período académico. É um pouco como o político e a campanha eleitoral, com a agravante de poder levar chocolates ou flores ao professor, num acto a que lá em casa nunca acharam grande piada por considerarem susceptível de algum suborno. Hoje, senti-me como um aluno ao ver o debate da Nação, que mostrou a habilidade manual de Manuel Pinho, esse político não profissional que fez um gesto feio a uma bancada parlamentar com quem estava a trocar umas palavras pouco correctas, demonstrando uma rara habilidade de manejo dos indicadores, que por várias vezes já o haviam traído. Na altura, pareceu-me que o gesto se devesse à tentativa do ex-ministro da economia de convidar para uma tourada, mas rapidamente fui demovido dessa conclusão ao ouvir a insistência dos colegas de profissão que durante o resto do debate só falaram nisso. Não sei honestamente como classificar este debate, que antes já tinha visto a reprimenda do mestre-escola Jaime Gama a Paulo Rangel e ao inefável ministro Santos Silva... Não gostei também de ver o vestido da deputada Apolónia...
quinta-feira, 2 de julho de 2009
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Um comentário:
Pois eu gostei muito do debate.
Há que tempos que não via o nosso Dr Jaime Gama a engrossar a voz e deixaer muito claro que por detrás da figura calma e controlada está alguém com não se brinca.Adorei.
No resto a oposição foi fracota.Faltou-lhe argumentos ideias decisão e coragem.
O nosso Primeiro José Sócrates foi soberbo.Vigoroso e determinado a mostrar que ainda é homem para levar muita coisa em frente, naõ vi por ali ninguém que o vença sem recurso ao disparate e a hipocrisia; mas como tanto o disparate e a hipocrisia fazem parte do baraho , aconselho-o a que
os tenha em conta.
No resto aconselho as oposições a por 1 vélinha em nome de s. Pinho, que não fora ele tinham ficado de rastos hehe.E com esta me vou ;)
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