terça-feira, 16 de junho de 2009

A outra Paris

Ontem, e por mais de três vezes, o telefone tocou. Alarmado, preocupado com o facto de ser um dos poucos escribas deste reino que ainda não se havia referido a essa transferência multi milionária que colocou o actual melhor jogador de futebol do Mundo em Madrid, longe dessa velha Albion onde chove quase todos os dias e tão perto dessa praça de Cibeles onde faz um calor tórrido. Um assunto confesso que me deixa completamente indiferente nunca gostei de ver impregnado em mim esse vício tão portuguesinho de espreitar com os binóculos pelo ferrolho vizinho. Bem como os amassos que terá dado nessa Paris Hilton, a herdeira platinada de um Império. Para mim ,Paris é sinónimo apenas e só da capital de França. A cidade do amor, onde pelas suas ruelas íngremes ou na imponência dos Campos Elísios, um tal de Jean Valejean lutou contra o seu futuro miserável; o corcunda Quasimodo piscou o olho à cigana Esmeralda, ou o rebelde D'Artagnan perdeu-se de amores pelos encantos da doce Constance.
Paris que nos olha de cima e de esguelha do topo da sua imponente torre de ferro, que se banha no Sena, que tem o encanto dos seus quartiers floridos e o romantismo dos bateau mouche dos enamorados visitantes que cortejam os jardins, os monumentos ou os passeios de mãos dadas segurando as sombrinhas de cores desmaiadas, abre as portas de Versailles, onde viveram os delírios de um rei que até se achou o sol, e de um outro que saiu dali para a tenebrosa Bastilha acabando por ficar sem cabeça, tão desgovernado deixou o reino de Luises e de cardeais numa comunhão perfeita de querer e poder, que Napoleão tentou anos mais tardes ensinar a cartilha a um Mundo cada vez menos absolutista. Com a vénia ao senhor Victor Hugo, invejo o Gavroche, o menino pé-descalço que vagabundeava pelas ruelas e becos de Paris à procura da sobrevivência. Apetecia-me tambêm a mim respirar a brisa cálida da cidade nesta jovem manhã de Junho. Não se devem preocupar. É que há algo em Paris que desperta a minha sensibilidade de vidro, mesmo que não goste das pirâmides do Louvre. O Boggart deve ter razão quando disse à Bergman no "Casablanca": "teremos sempre Paris"... Acrescento eu ainda bem... O mesmo aposto não pode dizer o Ronaldo...

Um comentário:

mariahenriques disse...

Ah Paris-
-Tão linda , tão romãntica tão cheia de perfumes a rosas e a chanel number five, que saudades que ela me dá e que vontade de me pirar para la, que ao menos não tinha que aturar as chatas conversas da treta enquanto espero que o senhor da loja me venda as tintas e os pinceis lol.

Paris que já foi uma festa e que festa e arco iris e palavras doces dentro e fora de filmas com e sem o bogart-aquilo é que era um homem.

O ronaldo não pode saber o que perde porque é muito novinho-para ele agora apenas os tais milhões muita conversa ainda mais inveja e a paris hilton-Ah os tempos já não são o que eram ;)